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AMNISTIA INTERNACIONAL
exige que EUA não venda armas a Israel
Mísseis "Hellfire" e armas que disparam bombas de fósforo branco foram usados em ataques "não-discriminados" contra civis em Gaza, diz hoje a Amnistia Internacional.
Rory McCarthy (de Jerusalém), The Guardian, UK, 23/2/200923/2/2009 –
Já há evidências detalhadas de que Israel usou extensivamente, na guerra de Gaza, armamento fabricado pelos EUA, incluindo bombas de fósforo branco, bombas de quase 300 kg e mísseis "Hellfire".
Em relatório distribuído hoje, a Amnistia Internacional lista as armas e pede embargo imediato contra Israel e os grupos armados na Palestina. E pede que o presidente dos EUA, Barack Obama, suspenda qualquer ajuda militar a Israel.
O grupo de direitos humanos disse que os que vendem armas aos dois lados em conflito "conhecem muito bem o resultado do mau uso repetido de armas e devem ser responsabilizados pela violações já comprovadas ".
Já há muito tempo, os EUA são o principal fornecedor de armas para Israel; por acordo com vigência de dez anos, negociado durante o governo Bush, os EUA comprometeram-se a vender armas no valor total de 30 bilhões de dólares, sob contratos de assistência militar.
"Como principal fornecedor de armas a Israel, os EUA têm especial responsabilidade no movimento para suspender a venda de armas que têm sido usadas em flagrantes violações da legislação de guerra e das leis que protegem os direitos humanos," disse Malcolm Smart, diretor do programa da Amnistia Internacional para o Oriente Médio e Norte da África.
"Em larga medida, o ataque de Israel a Gaza foi executado com armamento, munição e equipamento militar vendido pelos EUA e foi financiado com dinheiro dos cidadãos contribuintes norte-americanos."
Do outro lado, os militantes palestinos em Gaza armaram-se com "armamento não-sofisticado" e foguetes fabricados na Rússia, Irão e China, e comprado de "fontes clandestinas", disse Smart. Cerca de 1.300 palestinos foram mortos e houve mais de 4 mil feridos durante o conflito que durou três semanas.
Israel teve 13 baixas, incluídos três civis.
Para a Amnistia Internacional, as forças armadas israelenses executaram "ataques diretos a civis, pessoas e prédios, desproporcionais e não-discriminados".
Autoridades israelenses criticaram o relatório e disseram que os militares só usaram armamento permitido pelas leis internacionais e que não atacaram intencionalmente qualquer alvo civil. A ministra dos Negócios Estrangeiros de Isral disse que seria "inadequado" comparar os fornecedores de armas de Israel e do Hamás.
"Envidamos todos os esforços para que nenhum civil fosse colhido no fogo cruzado entre Israel e o Hamás" – disse Mark Regev, porta-voz de Ehud Olmert, primeiro-ministro israelense. "O relatório ignora o fato de que o Hamás usa deliberadamente civis palestinos como escudo humano."
[...] Investigadores da Anistia Internacional recolheram vários fragmentos de munição em Gaza, depois dos combates. Um deles, de bomba de quase 300kg, de tipo Mark-82 teleguiada, com inscrições que comprovam que foi fabricada pela empresa norte-americana Raytheon. Também encontraram fragmentos de bombas de fósforo, identificados com "M825 A1".
Dia 15/1, várias bombas de fósforo lançadas pela artilharia de Israel atingiram as instalações da Agência de Assistência Humanitária da ONU na cidade de Gaza, destruindo remédios, alimentos e instalações. Um dos fragmentos recolhidos nesse local indica que a bomba foi fabricada pela empresa Pine Bluff Arsenal, instalada no Arkansas, em outubro de 1991.
A Amnistia Internacional denunciou que o exército militar usou bombas de fósforo em áreas civis densamente povoadas, o que caracteriza ataque contra alvos indiscriminados e crime de guerra. Os investigadores da Amnistia Internacional encontraram fósforo ainda em ignição em áreas residenciais, dias depois do cessar-fogo. No local onde um ataque israelense matou três paramédicos palestinos e um menino na cidade de Gaza, dia 4/1, a Amnistia recolheu fragmentos de um míssil AGM114 Hellfire, fabricado pela empresa Hellfire Systems, de Orlando, empresa resultante de uma fusão entre as empresas Lockheed Martin e Boeing. Esse míssil é munição padrão dos helicópteros Apache. A Amnistia informa ter encontrado evidências de um novo tipo de míssil, aparentemente teleguiado, que explode em muitos fragmentos que são "pequenos cubos de metal, com arestas afiadas, com lados entre 2 e 4 mm²"." Parecem projetados para causar o máximo possível de ferimentos. Muitos civis foram mortos por esse tipo de arma, entre os quais muitas crianças" – disse a Amnistia. Os foguetes palestinos eram de tipo Grad, 122 mm; ou Qassam, fabricados na Palestina, e arma improvisada de artilharia, sem cabeça explosiva, ou com espoleta feita de adubo químico e carregada com pregos e fragmentos de metal.O arsenal dos palestinos tem "muito pequena escala, se comparado ao arsenal israelense", diz o relatório, que acrescenta que o armamento usado pelo Hizbóllah na guerra do Líbano em 2006 "não está ao alcance dos grupos da resistência na Palestina".
Os mísseis teleguiados israelenses são disparados dos helicópteros armados com lança-mísseis de 120 mm e mísseis Hellfire. Bombas maiores, guiadas a laser e outras são disparados dos jatos F-16. Também se usaram armas de lançamento de bombas de fósforo de 155 mm de fabricação norte-americana e israelense, que iluminam a área atacada, lançadas de pára-quedas. Houve muitas mortes provocadas por dardos de metal ("flechettes", de 4cm de comprimento, lançadas como bombas de fragmentação, de 120mm, disparadas de tanques).
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http://www.guardian.co.uk/world/2009/feb/23/israel-arms-embargo-gaza O relatório "Fuelling conflict: Foreign arms supplies to Israel/Gaza", distribuído hoje, 23/2/2009, da AI (em inglês), pode ser lido em:http://www.amnesty.org/en/library/info/MDE15/012/2009/en*

Meu muito Caro José-Augusto,
ResponderEliminarÉ notável, em actualidade e objectividade, este extraordinário artigo.
No entanto, pessoalmente, tenho dificuldade em comentar com alguma honestidade tudo o que vem daquelas bandas.
Nem mesmo a estafada etiqueta dos direitos humanos me convence muito.
Se uns são o que são, os outros serão piores.
Julgo-os povos sem moral nem ética, conduzidos por carniceiros vingativos e mesquinhos. É a minha opinião, que vale o que vale, mas não estará longe da realidade.
É evidente que lamento a perda de vidas inocentes, crianças, mulheres e velhos, embora mesmo entre eles, a cultura de violência e vingança esteja arreigada.
Lamento na generalidade a perda inútil de todas as vidas humanas. De todos os seres vivos e inocentes. Se os há.
Estou sim e desde sempre, muito preocupado com este canto de mal-feitores a que se dá o nome internacional de Portugal e que é a minha Pátria. Esse é o meu verdadeiro e intemporal estado de aflição e preocupação.
Mas disso falaremos no decorrer destas páginas e em tempo oportuno.
Grande e afectuoso abraço, do amigo,
Jerónimo Sardinha